sexta-feira, 30 de março de 2012

Cientistas pedem à ONU criação de Conselho Sustentável

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A criação de um Conselho de Desenvolvimento Sustentável na estrutura da Organização das Nações Unidas (ONU), o estudo de uma nova métrica para o PIB, que leve em conta o valor do capital natural, o desenvolvimento de metas para medir a sustentabilidade estão entre os principais pontos da declaração O Estado do Planeta divulgado ao fim do encontro Planeta sob Pressão, que reuniu cientistas de todo o mundo em Londres e foi organizado pelos quatro programas da ONU voltados para a área ambiental.

Os cientistas acreditam que o homem provoca alterações tão profundas no planeta que se admite o início de uma nova era geológica, o Antropoceno.

De acordo com os cientistas, o sistema terrestre está ameaçado e o resultado poderá ser uma emergência humanitária de escala global, com a intensificação das crises sociais, econômicas e ambientais. As ações para reverter esse cenário só serão viáveis com o estabelecimento de um novo pacto entre a ciência e a sociedade.

O documento sintetiza a posição da comunidade científica em relação aos temas da Rio+20 e foi elaborado com o objetivo de influenciar a agenda de discussões e as decisões da conferência.

O evento realizado em Londres contou com a participação das seguintes organizações científicas: International Programme of Biodiversity Science, International Human Dimensions Programme on Global Environment Change, World Climate Research Programme e International Council of Scientific Unions. Durante o encontro, 3 mil especialistas em temas como mudança climática, geoengenharia ambiental, governança internacional, futuro dos oceanos e da biodiversidade, comércio global, desenvolvimento, combate à pobreza e segurança alimentar, discutiram os desafios da mudanças climática.

De acordo com Lidia Brito, copresidente da conferência e diretora da divisão de Políticas Científicas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), na declaração os cientistas reconhecem a complexidade e a urgência dos desafios da atualidade e propõem uma nova visão da ciência em relação à sustentabilidade global.

"Temos uma mensagem positiva: com uma forte liderança em todos os setores e com o aproveitamento da crescente conectividade, temos a esperança de que o risco de uma crise ambiental de longo prazo seja minimizado", afirma Lídia à Agência Fapesp.

O codiretor do encontro Mark Stafford Smith entende que a conferência ofereceu novos caminhos para o enfrentamento dos desafios colocados pelas mudanças climáticas. "Precisamos de um acesso mais aberto ao conhecimento, de uma nova forma de medir o progresso e de novas maneiras de trabalhar", conclui.
Para Lídia, a conectividade é o início do caminho pelo qual a comunidade científica precisa operar. "Nós precisamos de uma poderosa rede de inovação envolvendo o Norte e o Sul", afirma. "O tempo é o recurso natural mais escasso de todos. Nós precisamos mudar o curso das coisas de uma maneira fundamental nesta década."

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