domingo, 25 de março de 2012

Conselho de responsabilidade social empresarial da Fieb

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Marconi Andraos Oliveira, que além da direção do cores, responde pela diretoria de relações institucionais da Dow Brasil


As exigências que os grandes mercados fazem mundo afora, através da globalização, no sentido de elevar a qualidade da gestão, encontrou uma Bahia, do ponto de vista empresarial, bastante desigual. Esta desigualdade na forma de se relacionar com os novos conhecimentos e valores baseados na sustentabilidade distingue uma empresa socialmente responsável das que ainda não entenderam os novos códigos de sobrevivência de um mercado que se faz cada dia mais global. Para tentar diminuir essas diferenças entre as empresas, no segmento industrial, a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) criou, em 2004, o seu Conselho de Responsabilidade Social Empresarial (Cores).

Guiado pela missão de subsidiar a Fieb na sensibilização e apoio às indústrias da Bahia para a adoção da gestão socialmente responsável, visando o desenvolvimento sustentável do Estado, o conselho conta com 20 representantes de diferentes empresas. É coordenado por Marconi Andraos Oliveira, que, além da direção do Cores, responde também pela diretoria de Relações Institucionais da Dow Brasil, que acaba de ser incluída, pelo sexto ano consecutivo, no índice Dow Jones de Sustentabilidade. O índice avalia profundamente o desempenho corporativo, econômico, ambiental e social, julgando questões de riscos, branding, ações para mitigar as mudanças climáticas, cadeia de suprimentos e práticas trabalhistas.

Marconi, no entanto, admite que este grau de envolvimento, com as questões de sustentabilidade, alcançado pela Dow, é uma realidade que corresponde mais ao universo das grandes empresas baianas. “Principalmente se falarmos de sustentabilidade, que é um conceito bem mais amplo do que o de responsabilidade social empresarial (RSE), que é apenas um de seus aspectos”, explica.

Em se tratando apenas de RSE, que é o âmbito de trabalho do Cores, a Bahia vem evoluindo de forma acelerada, de acordo com a opinião do diretor do conselho. Marconi se apóia nas primeiras informações colhidas pela II Pesquisa sobre Responsabilidade Social Empresarial nas Indústrias do Estado da Bahia, que já foi concluída, faltando apenas a análise dos dados para, em seguida, ser editado o material com o resultado.

“Não posso adiantar dados quantitativos, mas comparado com a primeira pesquisa feita em 2005, já se percebe que houve uma mudança, principalmente, dentro da visão das empresas e menor porte. Se nota que o conceito está disseminado entre elas, ainda que não haja uma padronização das práticas”, diz. Para ele, a dificuldade, das pequenas e médias empresas, de trabalhar os temas da responsabilidade é compreensível.

“Normalmente elas têm mais preocupação com o seu dia-adia, estão focadas em sobreviver, comprar insumos, preocupadas com questões muito mais imediatas. Não têm, ainda, tempo para se preocupar com as questões ligadas à responsabilidade social. Até a visão de gestão fi ca comprometida pela necessidade das operações diárias”, explica.

Marconi esclarece ainda que à medida que as pequenas e médias empresas crescem, elas começam a entender a importância de colocar no seu DNA o cromossomo da responsabilidade social. “Não só por uma questão de sobrevivência, mas também por uma questão de continuidade e perpetuidade, que são consequências da ideia de sustentabilidade”.

Em relação às empresas de grande porte, Marconi entende que ocorreu também uma evolução, mas que, neste caso, foi mais no sentido de organizar melhor as estratégias, de pôr em prática os fundamentos da responsabilidade social. Para ele, as grandes empresas da Bahia apresentam um grau de responsabilidade social tão elevado como as grandes empresas das regiões mais desenvolvidas do país. “O que as diferencia são os públicos atendidos pelas ações de RSE das diferentes regiões, o que leva também a uma pequena diferenciação na maneira de cada região produzir seus modelos de projetos”, salienta Marconi Andraos.

A Bahia, de uma forma geral, segundo ele, “carece ainda de muito esforço para que todas as empresas entendam de forma organizada os conceitos que as levarão a se instalar dentro da exigente, e compensadora modernidade, o que é uma realidade distante de muitas empresas baianas, e isso vai ser demonstrado pelos resultados da pesquisa, que devem estar prontos entre outubro e novembro”, informa.

Para Marconi, é de extrema importância que essa realidade seja revelada e diagnosticada para que não se corra o risco de gerar uma acomodação. “Muitos podem achar que o que estão fazendo é uma gestão moderna, mas, na verdade, pode-se estar parado no tempo. Acho importante que aconteça este incômodo constante e sistemático para que os empresários estejam se preocupando em evoluir. Nem a modernidade, nem o mundo são estáticos, temos que estar incomodados”, pondera.

Entre os diversos aspectos que foram questionados pela pesquisa, alguns merecem destaques como exemplo de evolução conceitual, transformada em ação. A relação das empresas com os seus empregados é uma delas. “De uma maneira geral, tem dado saltos qualitativos muito grandes. Sobre todos os aspectos: cidadania das empresas, a vontade do patronal de fazer diversas concessões, etc. “Tem evoluído muito”, destaca Marconi.

O diretor do Cores, entretanto, alerta para o fato de que, neste momento, esta relação que se mostra harmoniosa, entre patrão e empregado, está sujeita a sofrer turbulências. “Os custos de mão de obra, hoje, no país têm crescido consideravelmente, devido, entre outros fatores externos, à queda do dólar. Com isso, os salários brasileiros, num ponto de vista global, acabam fi cando mais altos que os de outros locais, o que impacta diretamente na produtividade, dentro de um mercado globalizado”, salienta.

Outros aspectos importantes que fazem parte da responsabilidade social e que têm sido trabalhados, nos últimos anos, pelas empresas de grande porte, em sua maioria, foram as relações com a comunidade e com a responsabilidade ambiental. “A comunidade é outro tipo de público, é a outra parte interessada no processo. A empresa cresce quando ela contribui para o sucesso da comunidade, seja gerando emprego, seja atendendo algumas de suas carências. A comunidade é parte da empresa. O meio ambiente, por sua vez, não se separa do meio social, ainda que aquele esteja mais ligado a uma visão de sustentabilidade. Trabalhar em prol da natureza é sim parte da responsabilidade social”, conclui.

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