quarta-feira, 28 de março de 2012

Leonardo Boff lança em Belo Horizonte os livros Sustentabilidade e O tao da libertação

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O teólogo, filósofo e escritor Leonardo Boff acredita que já começou o tempo do mundo finito. “As agressões sistemáticas ao planeta fizeram com que a Terra gaste um ano e meio para recuperar aquilo retirado no prazo de um ano. Ultrapassamos os limites e entramos no processo do caos”, alerta ele a partir de dados retirados de relatórios da ONU. A preocupação não é nova para o pensador. “Sempre estive presente porque fui franciscano. A dimensão ecológica é algo natural em minha formação.” O que mudou nos últimos anos, como relata nos livros Sustentabilidade – O que é; o que não é e O tao da libertação – Explorando a ecologia da transformação, é a dimensão do problema. As duas obras, da Editora Vozes, têm lançamento nesta quarta-feira, às 19h30, no auditório da Cemig, no projeto Sempre um papo. Em Sustentabilidade, Boff traça um histórico do tema desde o século 16 até o início do século 21, submetendo à crítica os vários modelos existentes de desenvolvimento sustentável. No outro livro, escrito em parceria com o mestre em educação Mark Hathaway, a ideia central é a busca por uma revolução espiritual capaz de transcender o pequeno ego, deixando para trás percepções, hábitos e sistemas capazes de perpetuar injustiças e destruir a vida. A obra foi vencedora, há dois anos, do Prêmio Nautilus na categoria nova ciência e cosmologia. Os temas são urgentes. “Cerca de 1,3 mil cientistas do mundo estudaram o consumo humano e concluíram que, dos 24 elementos básicos para nossa sobrevivência, não estamos conseguindo produzir em quantidade suficiente 17 deles”, aponta. O documento, intitulado “Carta da Terra”, alertou para a situação: “Estamos diante de um momento crítico da história da Terra (...). A escolha é nossa e deve ser: ou formar uma aliança global para cuidar da Terra e cuidar uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a destruição da diversidade da vida”. Uma das alternativas seria o amplo entendimento da sustentabilidade. O autor apresenta as origens do conceito e traz, nos anexos, o texto da “Carta da Terra”. Boff acha insuficiente o conceito clássico que defende o desenvolvimento das necessidades humanas e a preservação do capital natural para atender as futuras gerações. “Só contempla o ser humano. Além de nós, há toda uma comunidade viva que precisa de sustentabilidade”, diz. Consumo A preocupação em O tao da libertação é mais ampla. Fruto de 12 anos de pesquisa, analisa as “revoluções” que afetaram tanto o tempo quanto o espaço em nossas vidas, mas que, na essência, não nos distanciam da preocupação com a exploração e o consumo. O livro mostra que tanto a espiritualidade quanto a cosmologia, passando pela ciência, ética, economia, genética, têm apontado que chegamos a um limite. A partir de discernimentos cosmológicos, ecológicos e espirituais, o livro oferece pontos de referência para a libertação dos pobres e do planeta Terra, ancorados na visão de uma nova civilização baseada na sustentabilidade da vida. “Fizemos uma tentativa de sistematizar o pensamento ecológico num diálogo da tradição oriental com a ocidental, dentro de um paradigma novo, o tao. O mundo como conhecemos tende a desaparecer. É perverso demais para a grande maioria da humanidade, tem gerado tragédia e fome”, critica Boff. Três perguntas para... Leonardo boff teólogo e filósofo Em Minas, assistimos à devastação dos recursos naturais e, por outro lado, o pouco efeito de mobilizações populares diante do poder público, muitas vezes a favor da ação depredatória. Como devemos agir? O dever nosso é continuar pressionando por cuidados sérios com os recursos naturais e prestando atenção nos fenômenos globais. O problema é que os poderes públicos mundiais, à exceção de um ou outro país, não têm consciência da gravidade das ameaças que pesam na biosfera. Por isso, não inserem os dados no planejamento. É possível começar a mudança em nosso microcosmo? Se a gente não pode mudar o mundo, podemos alterar este pedaço de mundo que é cada um de nós. Temos que começar comm hábitos simples, como separar o lixo, não queimar nada e implantar no dia a dia questões como a redução do consumo. Acrescento ainda outras dicas, como reflorestar. Quando a preocupação ecológica começa a aparecer com mais intensidade em sua vida? A partir dos anos 1980. A partir de estudos da Teologia da Libertação me dei conta de que o mesmo sistema que explorava o homem fazia semelhante com a natureza. Dentro da opção pelos pobres, devíamos pensar no grande pobre que é o planeta. Temos que produzir respeitando os ciclos da natureza e permitindo que ela descanse e se refaça. Não estamos dando pausa nenhuma. Leonardo Boff Lançamento dos livros Sustentabilidade – O que é; o que não é (200 páginas; R$ 29,90) e O tao da libertação – Explorando a ecologia da transformação (592 páginas; R$ 80), no projeto Sempre um Papo. Quarta-feira, 28 de março, às 19h30, no auditório da Cemig (Av. Barbacena, 1.200, Santo Agostinho). Entrada franca. Informações: (31) 3261-1501 e www.sempreumpapo.com.br

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