segunda-feira, 14 de maio de 2012

Lixão, até quando?

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Pelo andar da carroça, ainda por muito tempo. É o que conclui um estudo desenvolvido pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), mesmo a despeito de já termos uma Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em andamento há mais de dois anos.
Intitulado Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, o relatório é atualizado todos os anos. Este, de 2011, dá conta de que, sim, estamos avançando na direção de ter soluções modernas e integradas para destinação do lixo sólido de nossas cidades. Mas o ritmo ainda é muito lento. Veja as principais conclusões do relatório:
- A geração de resíduos sólidos urbanos no Brasil cresceu 1,8% em 2011, em relação a 2010. Este índice é superior à taxa de crescimento populacional urbano do país, que foi de 0,9% no mesmo período;
- Das 55,5 milhões de toneladas de resíduos recolhidos em 2011, 32,2 milhões foram corretamente para os aterros sanitários. Mas 23,3 milhões acabaram nos lixões e aterros controlados, aqueles sem tratamento de chorume, nem controle de gás metano decorrente da decomposição de material orgânico, como restos de alimentos;
- Das mais de 5 500 cidades brasileiras analisadas, 60,5% destinaram inadequadamente mais de 74 mil toneladas de resíduos todos os dias;
- Esse aumento segue uma tendência já constatada nos anos anteriores, mas emritmo menor;
- A comparação entre a quantidade total gerada e a quantidade total coletada, mostra que 6,4 milhões de toneladas de lixo sólido nem ao menos foram recolhidos em 2011. Tiveram destino impróprio em terrenos abandonados, ficaram nas ruas ou foram parar em rios e córregos;
O estudo da Abrelpe reconhece que a queda na intensidade do aumento da geração de resíduos sólidos é positiva. Mas a constatação de que a quantidade de lixo cresceu duas vezes mais do que a população brasileira ainda preocupa.
A Abrelpe alerta ainda que a destinação final de resíduos sólidos ainda aparece como o principal problema a ser superado na transição de um sistema subdesenvolvido de gestão de resíduos para o modelo idealizado pela PNRS. A destinação ideal ainda é minoria em todo o país, porque grande parte dos municípios adota até hoje as práticas do início do século passado para destinar seus resíduos sólidos, conclui o texto do relatório.
Como se vê, falta muito ainda para limpar a casa de verdade, sem colocar o lixo debaixo do tapete.

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