sábado, 23 de junho de 2012

Conferência termina em clima de melancolia

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(Foto de Pieter Zalis/UNIC)
A Rio+20 terminou nesta sexta-feira (22) sem metas nem financiamento para possibilitar o desenvolvimento sustentável dos países. E, ao longo das 49 páginas e 283 parágrafos do texto acordado, o que se vê é a falta de ousadia e de medidas concretas para serem cumpridas pelas nações daqui em diante.
“Saímos da conferência com um sentimento de indignação pela baixa ambição do acordo firmado. Era visível a melancolia no rosto das pessoas pelos corredores do Riocentro”, afirma Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.
Para ele, a posição do Brasil, que presidiu a conferência, foi “covarde”. “O país tinha a obrigação de pressionar até o último momento e tentar forçar uma maior ambição ao acordo”. Segundo ele, houve uma derrota prévia ao fecharem um “documento possível” antes da chegada dos chefes de Estado.
A presidente Dilma Rousseff afirmou durante o evento que o acordo era um ponto de partida, e não de chegada. E que os países poderiam avançar mais e ter suas próprias políticas. Mas o verdadeiro ponto de partida ocorreu há 20 anos, na Rio-92. “Se a Rio+20 foi o ponto de partida, quer dizer que estamos em estado de paralisia. Agora era o momento de mostrar mais resultados”, afirma Mantovani.
Encontro dos povos
O saldo positivo da reunião foi a Cúpula dos Povos, que promoveu oficinas, debates e encontros no Aterro do Flamengo. Entretanto, as manifestações da sociedade civil não foram levadas em conta pelos negociadores e governantes, apesar de a presidente Dilma afirmar que houve ampla participação. “Mesmo com o fracasso da Rio+20, a Cúpula cumpriu seu papel e tentou dar sua contribuição. E nós reafirmamos nossa disposição de continuar a luta por um futuro mais sustentável”, disse Mantovani.
A Rio+20 marcou os 20 anos da emblemática Cúpula da Terra que aconteceu no Rio de Janeiro, em 1992, e tinha como objetivo estimular novas medidas rumo a uma “economia verde”. Na Rio-92 foram criadas as convenções da ONU de mudanças climáticas e de biodiversidade, além da Agenda 21.
(Foto de Felipe Siston/UNIC Rio)

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