segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Mundo precisa de cortes de emissões sem precedentes até 2050

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Taxa nunca foi alcançada nos últimos 50 anos
O mundo vai ter de cortar as taxas de emissões de carbono em um nível sem precedentes até 2050, para evitar que temperaturas globais subam mais que 2 graus centígrados neste século, de acordo com relatório da PricewaterhouseCoopers (PwC) divulgado hoje.
O índice anual de Economia de Baixo Carbono da empresa de consultoria examinou o progresso de economias desenvolvidas e emergentes na redução de suas intensidades de carbono, ou suas emissões por unidade de seus PIBs.
Temperaturas globais já subiram 0.8 Cº sobre níveis pré-industriais. Quase 200 nações concordaram nas conversações da ONU em 2010 em limitar o aumento de temperatura, para evitar impactos perigosos da mudança do clima.
A intensidade de carbono terá de ser cortada em 5% ao ano para atingir aquela meta, diz o estudo. Isto se compara com uma taxa anual de 0.8% de 2000 a 2011.
“Por conta deste lento início, a intensidade global de carbono agora precisa ser cortada em uma média de 5.1% por ano de agora a 2050. Esta taxa de redução não foi conseguida nos últimos 50 anos,” acrescentou o trabalho.
Cientistas do clima advertem que a chance de limitar o aquecimento está se tornando menor. As emissões globais aumentaram 3% em 2011, atingindo um recorde, de acordo com a Agência Internacional de Energia.
Mesmo que a taxa de 5% seja alcançada no longo prazo, a descarbonização não terá progresso imediato, o que significa que cortes futuros terão de ser ainda maiores.
“Mesmo com o dobro de nossa taxa atual de descarbonização, isto ainda iria levar a emissões consistentes com um aumento de 6Cº no final do século,” afirma Leo Johnson, diretor de sustentabilidade e mudança do clima da PwC. “Para termos uma chance de mais de 50% de evitarmos os 2Cº, precisaríamos aumentar em seis vezes aquela taxa.”
De acordo com o estudo, países europeus têm a taxa mais alta de descarbonização, com Grã-Bretanha, França e Alemanha exibindo cortes de intensidade de mais de 6% em 2010-2011.
“Uma ironia é que uma razão chave para o uso menor de energia foi um inverno mais suave na região. Tanto o Reino Unido quanto a França tiveram aumento de geração de energia nuclear de baixa emissão, mas a saída da Alemanha deste mercado se refletiu em um declínio relativamente menor de emissões,” diz o relatório. Os Estados Unidos tiveram uma diminuição de 3.5% na intensidade de carbono em 2011, o que se deve em grande parte à transição para o gás de xisto e à eliminação progressiva do carvão, e a veículos mais eficientes.
A descarbonização na China e na Índia na última década parece ter estacionado, enquanto que a da Austrália cresceu em 6.7% no ano passado.
A ONU irá promover no final deste mês no Qatar a próxima rodada de conservações sobre o clima, na qual serão supostamente discutidos modos de melhorar as metas, informa aReuters.
Foto: UN Photo/F Botts

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